Tuesday, March 25, 2008

Bem vindos ao meu Inferno Astral!

Não tenho nada de realmento útil pra falar. Não tô afim de pensar ou escrever sobre o mundo e coisas do tipo.
Tô egocêntrica e deprimida.
Nada anda bem como deveria, nem mesmo eu estou andando nos eixos que previ pra este ano.
Ando exagerando, mesmo que em quantidade BEM menor do que meses atrás.
Mas a grande verdade é que jogaria fora os últimos 8 meses da minha existência neste planeta.
Não que eu queira morrer, pois se eu pensar realmente no assunto vejo que sou covarde pra isso.
Mas desaparecer talvez seja a palavra mais sesata a dizer.
A vontade mesmo é de pegar minhas coisas e ir pra uma casa isolada. Pensei seriamente em ir pra Ilhabela. A casa é grande, a cidade paradisiaca e eu estaria sem tv a cabo pra me transportar para o mundo lúdico do cinema.
Fato que me ajudaria a criar e desenhar bastante...
E tambem pq não passar um tempo sozinha fazendo compania(?, deu branco) para mim mesma?
Seria muito mais bonito estar realmente sozinha ... muito melhor do que estar no meio da selva de concreto, ouvindo os ruídos do trânsito e das construções que não param.
Fora que tem a família que tem que aguentar meus surtos de choro e ainda gritar e irritar e jogar na cara todos os planos feitos e não acabados, todos os sinais de fraqueza e delírio mental.
Tá dificil!
Falar sobre a pós parece mais desanimador ainda, não tá dando muito certo faz tempo. Após seis meses de pura monotomia quase todos nós resolvemos começar projetos paralelos já que na pós não rolava nada.
E assim do nada eles começam a enfiar trabalhos até dizer chega e você fica no paralelo entre a pós e os trabalhos pessoais.
Fica numa correria maluca.
Ok. Até é melhor do que antes , claro. Mas não tô dando conta.
Mas ainda tentarei, atéonde minha saúde psicológica permitir!
Minha vontade mesmo era sair essa semana adiantar tudo que eu pudesse e voltar livre semana que vem para aproveitar melhor.
A verdade é que não quero voltar. Digo não quero continuar aqui. O lugar que sempre me trouxe estabilidade e segurança está me trazendo profunda tristeza e solidão.
A noite está decadente e não me atrai mais. Quando saio entro num mundo de fantasia e reações químicas que definitivamente não me fazem bem. E o pior é que agora é inevitável.Não mais uma escolha, mas uma necessidade.
Era só questão de tempo tambem.
O barulho da construção ao lado eleva minha enxaqueca a um estado de dor intensa, coisa de parar no hospital.
Ah sim , quem sabe tudo isso não seja simplemsnete meu inferno astral?
Quem sabe. Só sei que preferia estar realmente só no meu refúgio litorâneo do que cercada de pessoas que me deixam vazia.Acordar ouvindo pássaros e olhar os veleiros mar afora da minha sacada.
Tudo no momento me faz entrar em pleno estado de delírio mental. Meu stress está descontrolado e o lugar perfeito agora seria dentro de uma camisa de forças.
Estou angustiada, depressiva, ansiosa, nervosa e apática.
E ainda por cima não gosto de datas comemorativas, todas me lembram alguma briga familiar ou descaso.
Todas me lembram o quanto eu sou carente e o quanto não recebia atenção quando criança. Todas me lembram as horas que passava no meu mundo de fantasia infantil, que nunca foi embora.
Todos me lembram os trabalhos elogiados pelos professores da escola que meus pais nunca entendera ou deram atenção.
Sou complexada sim. E me sinto sozinha desde que me entendo por gente.
Sou daquelas que toma uma taça de vinho pra dormir e 2 prozacs pra poder levantar.
E acho isso uma bosta.
Claro que essas fases não são contínuas, mas particularmente tem apices de anos em anos e acho que após um 2005, 2006 e parte de 2007 muito tranquilos e bons entro em um 2008 caótico de recaídas.
Falarei com meu médico sobre isso ...
Preciso de fórmulas da alegria, para não surtar de vez.
Lá vou eu mais uma vez pra mais um dia de março ...
Que seja afinal um bom dia.

Monday, March 17, 2008

Reflexões sobre “A sociedade do espetáculo”, moda e criação como percepção do criador.



Vivemos num mundo onde o anseio de fazer parte de um determinado meio e o desejo de nos tornarmos seres reconhecidos e/ou conhecidos invadem nossa mente e toma conta de nossos pensamentos.
A cobrança do ter para ser ainda faz parte da alienação cultural que sofremos em tempos modernos. Conceito de imagem e do parecer que foi retratado no livro de Guy Debord sobre a denominada, por ele, sociedade do espetáculo.
O maio de 68 veio confirmar suas teses. Anos se passaram e o culto a imagem idealizada e uma “vida” ilusória continua mais forte do que nunca.
Somos consumidos por imagens a todo o momento. Seja em outdoors nas ruas, filmes, revistas e até jornais.
O meio de comunicação em massa continua expondo um modo de vida e expectativas a serem atingidas pela sociedade em geral.
Claro que um dos motivos mais óbvios de tudo isso é a economia que adotamos que precisa gerar e girar dinheiro. As imagens são impostas para vender e assim sustentar a economia capitalista.
Muito bem isto já não é, também, nenhuma novidade.
O fato de o ser humano ser seduzido por imagens e ideais é o que de fato sustenta esta economia.
Estamos sempre em buscas de sermos os melhores. E para sermos devemos provar que somos, assim devemos aparecer e mostrar a sociedade na qual vivo e quero me encaixar o que sou através do que tenho.
A busca da perfeição vem torturando-nos desde o Renascimento. O ser humano busca atingir um nível de perfeição celestial nos tornando nosso próprio Deus. Faço, tenho, sou em busca de poder e manipulação.
Claro que a busca da perfeição é também a busca pelo belo. Vaidade propriamente dita. Sensações de prazer e infinita sedução.
Ou seja, a sociedade do espetáculo, como Guy Debord também já disse, foi criada pelo próprio homem para sustentar sua vaidade gerando dinheiro para comprar e vender ilusões.
Sonhos que jamais serão alcançados, pelo simples fato de não haver perfeição humana, podemos beirar a perfeição. Mas nunca se é de inteiro perfeito.
Até porque o ideal de perfeição muda constantemente de acordo com os acontecimentos mundiais e anseios de gerações seguintes.
Mas a venda por esta imagem ilusória continuará alimentando esperança e talvez frustrações a toda a sociedade.
Compreender que todos somos atores e vivemos uma peça já escrita pelas autoridades e interesses do Capitalismo moderno.
Talvez aceitando e conhecendo a sociedade do espetáculo e suas expectativas perante a humanidade seja um passo para um novo Modernismo, mas isso só saberemos mais adiante, ou talvez não seja algo pra nossa geração e sim pra uma que está por vir.
Somos vítimas de nós mesmos. Cultuamos imagens que nos dão a falsa sensação de felicidade e poder sobre o outro. Criamos o espetáculo para alcançarmos objetivos inalcançáveis através de uma suposta perfeição. Ou pelo menos nos tornamos seres menos frustrados tentando preencher essa falta com imagens, que no fundo, sabemos serem abstratas.
E aí que entra a moda, vendendo sonhos, vontades, status social, conhecimento, herança, cultura, tradição e tudo que para meros mortais seria inalcançável.
Um pequeno pedaço de prazer. A sensação de ser alguém através do que você paga para ter. Ou através do que fazem para você.
Sensação de sermos únicos. E não só únicos mas o mais importante entre os únicos.
Vangloriamos vitórias e pessoas que consideramos grandes. Queremos ser parte dela. Ou ser elas. Por isso a moda nos leva perto de um ideal de vida, ideal de beleza. As idealizações de nosso tempo.
Nos traz esperança, mesmo sabendo que muito difícil alcançaremos a imagem, afinal a imagem que busco ser é somente imagem. Não fala, não sente, não ama, não anda mas ela provoca sensações imaginárias que nos fazem segui-lá.
Por isto o fetiche em torno de marcas de luxo como Louis Vuitton, Chanel, Dior, entre outras. Pois paga-se para ser exclusivo. Paga-se para entrar num circulo fechado e pequeno. Paga-se para se sentir parte da sociedade espetacular. Paga-se para ser desejado e admirado.
Claro que somos seduzidos por imagens de perfeição e prazer. Sensações que nos remetem a total felicidade, à conclusão do idealismo abstrato.
E assim surgem marcas genéricas que querem ser ou apenas desejam iludir o consumidor do parece mais não é. Porque afinal, o importante é parecer real. É fazer com que pensem que eu seja real, pensem que eu possuo este objeto que me põe num patamar sonhado. A indústria da falsificação fatura milhões e milhões anualmente vendendo ilusões e genéricos em geral.
Umas com maior qualidade e outras com pior. Mas a qualidade não importa quando o importante é somente que pareça ser.
O valor agregado a mercadoria de luxo alcança os mais altos preços por cada vez mais querer e vender exclusividade. E com o mercado paralelo das falsificações, crescendo e ficando cada vez mais parecido com o original , cria-se constantemente mais e mais para atender um público cada vez menor.
O consumidor do produto de luxo entende-se merecedor de tal mercadoria devido seu esforço e status. Por isso paga-se e paga-se bem somente para ter a sensação de poder por um instante.
Fala-se no novo luxo, pois a imagem não mais satisfaz a todos os consumidores. Fala-se em privacidade, vida familiar, gastronomia valores que se perderam com o tempo e aos poucos são resgatados por assim um dia o consumidor perceber que apenas compra ilusão de uma vida perfeita.
Quando tudo desmorona e ele fica frente a frente com a sua realidade verdadeira velhos valores tentam ser resgatados, infelizmente como forma de ilusão também, como forma de memória, porque afinal o que passou não se repete. Tudo acontece somente uma vez. E assim vamos nos alimentando de ilusões.
Acabamos encurralados num modelo de parecer que nos dominou. Parece não ter mais solução porque os valores perdidos nunca serão resgatados a mesma maneira e então aceitamos assim a falsa ilusão.
Por mais que saibamos que não somos, já perdemos aquilo que éramos, nos frustramos e então voltamos ao ciclo de compra de uma falsa felicidade e de um falso status social.
Criadores de moda e artistas em geral, que sabem desse ciclo vicioso de eterna satisfação de prazeres passageiros lidam diariamente com seus sonhos, frustrações e desejos profundos.
Transformam seus anseios em objetos que passem ao consumidor, ou ao estudante, ou apenas ao admirador seus mais profundos desejos.
Desejos que foram capitalizados já. Mas que ainda existem. Isso torna a arte como percepção do artista sobre a sociedade em que vivemos. Buscamos sonhos e tentamos reconhecer dentro de nós o que ainda é verdadeiro. O que ainda não foi tomado pela sociedade espetacular, ou o que ainda não foi tocado e nem afetado por tanta imagens da sonhada “perfeição humana”.
Sensibilidade para perceber e mostrar, ao sue modo, a criatura que saiu de dentro do que ainda é verdade em você.
Criar apara o mundo. Deixar que o consumidor veja, entenda, compartilhe ou simplesmente se iluda com seu trabalho.
Sentimentos, vontades, medos são criados. Verdadeiros, mas que passam pelo processo de capitalização após concluído.
Há verdade no que se cria, há verdade e sensibilidade. Cabe ao criador, que expõe para o mundo, aceitar as mil interpretações de seu trabalho.
Este pode ser usado positivamente ou negativamente. Pode complementar, iludir ou destruir todo e qualquer consumidor.
A imagem vende. E o ser humano compra pois deseja desde de os primórdios ser.Amar,reconhecer.
Não há como julgar uma pessoa se na verdade uma sociedade inteira está mergulhada em palco onde todos somos representates.
Representamos, cada um de um modo. Alienados talvez, nem tão alienados assim após anos desde as teses de Debord.
A era das imagens não está no fim.
Aparência ao ser?
Muheres querem ser magras, ricas, glamourosas e amadas. Homens querem atingir seu patamar de bon vivants ao máximo.
Somos sufocados por estes desejos e por isso esquecemos de refletir sobre o que é real e o que é inventado ou imposto pelos formadores de opinião.
Vivemos correndo atrás de padrões, numa sociedade em tempos em que padrões não deveriam mais existir. Padrão do que? Padrão da imagem?
E o seu padrão? E o que o faz ser tão exclusivo?
Revistas, internet, filmes, livros, ruas está tudo claro e bem exposto. Basta abrirmos os olhos, se quisermos ser menos frustrados; e decidir de fato criar sua própria imagem com seus padrões. Afinal sempre passaremos uma imagem. Basta escolhermos qual imagem somos verdadeiramente, se assim desejarmos.
Se reclamamos e buscamos por mudança, o essencial é primeiro buscar dentro de nós a resposta.
Aí sim a moda pode nos atingir de forma positiva e prazerosa. A moda não precisa ser alienada e em busca do que não é. Ela pode ser você. Moda, comportamento, está tudo ligado. Moda é comportamento. Reflexo do seu comportamento. Do comportamento da sua geração, anseios e buscas.
Moda é uma imagem?
Imagem comportamental.












Roberta Mattos

Saturday, March 15, 2008

Ainda no espetáculo

-tese 21

"Á medida que a necessidade se encontra socialmente sonhada, o sonho se torna necessário. O espetáculo é o sonho mau da sociedade moderna aprisionada, que só expressa afinal o seu desejo de dormir . O espetáculo é o guarda desse sono"

Guy Debord

Dormir para continuar sonhando.
Para cumprir uma necessidade inatingida ... que talvez só aconteça em sonhos.
Óbvio que estou levando esta crítica de Guy Debord para o lado da vida privada e menos para o lado da economia da sociedade moderna que o fez escrever " A sociedade do espetáculo" .
Vivemos em busca de algo que nem sabemos que o colocamos como necessidade vital. Pura baboseira. É tudo criado pelo meio de comunicação de massa... Tudo é criado e inserido em nossa vida moderna como uma suposta necessidade de poder.
Acreditando que com o poder vem todas as outras necessidades básicas. Não somente queremos ter dinheiro mas poder pra usá-lo a nosso benefício.
Queremos ser exaltados por sermos nós mesmos ... Com o poder vem o amor , o dinheiro e a suposta felicidade de palco.
De palco porque afinal é uma aparente felicidade. Uma representação de felicidade que passamos para as pessoas.
Somos todos atores, somos atores na noite e de dia. Somos duas pessoas no mínimo ... temos dois lados sempre. Tudo tem dois lados. No mínimo dois lados.
E assim por diante ...
Vivendo neste sistema que nos leva a precisar de tudo e todos sempre mais ... mais e mais ....

Wednesday, March 12, 2008

Diva's Crash

Em um tempo de dias nublados e medo constante, surge no fim do túnel a luz, a diva encantadora na qual habita a palavra esperança.
Ser divino e encantador, em dor. Caminha sobre o asfalto, com seus pés descalços na madrugada triste e traiçoeira. Andando com elegância e determinação ao seu destino, a guerra, a luta e ao início de dias turbulentos, mas vitoriosos.
Olhos abertos, corpo fragilizado pela dor física e emocional, desespero psíquico, mas uma certeza em sua alma: as coisas deveriam mudar. As coisas deveriam deixar de ser destruição para se tornar construção. Construção de um tanque de guerra pronto para se defender, atacar e vencer a qualquer momento.
A vitória é certa. Do cisne doente e lesado, nasceria uma diva. Uma diva que ama mais do que tudo: a real liberdade, não uma liberdade corporal e carnal, mas uma liberdade de espírito, de alma. A libertação da angústia de uma dor profunda e consumidora. E em quanto caminhava naquele asfalto áspero perguntava-se: quem é você ó mulher de olhos tristes e coração enorme. Que deixou se levar por uma falsa alegria? Quem é você, ó mulher, que esqueceu a alegria de acordar pela manhã e sentir os raios do sol te desejando um bom dia e abrançando-a com sua energia e calor? Quem é você que deixou o luar a consumir por inteira fazendo do seu corpo um mero seguidor de seus desejos? Esta, mulher, não é você. A noite o que lhe rendeu?
Rendeu-lhe sangue. E o sangue se espalhou desde o coração aos dedos do pé, mostrando o quão frágil é a loucura e a perda de identidade. Os dias regados a palavras insanamente pronunciadas sem pensar lhe renderam o abandono.
Levante. Siga. Cure os ferimentos e viva intensamente a brisa do mar, o chegar do luar, a vida em que tanto sonhou em levar.
E continuou o seu caminho, determinada a vencer, determinada a mostrar que sabe lutar. Determinada a fazer o mundo a enxergar, nua e crua, sem máscaras ou sombras, a diva que ali há.


Escrevi este texto há um tempo, porém é sempre fortalecedor rever antigos pensamentos e documentos pessoais.
Minha diva agora é um pouc mais alegre ... uma vontade melancólica d eretornar á infância sem deixar de ser mulher ...
E como é difícil ser mulher hoje em dia.
Minha mulher hoje é uma Anna Karina contemporânea ...
Doce e livre.
Mas extremamente sensível e sensata.
Entende?